A urticária, enquanto patologia inflamatória, divide-se em aguda e crónica conforme o tempo de durabilidade e, quando não totalmente controlada, “diminui a qualidade de vida do doente”, sendo que a causa na maioria das vezes é desconhecida. Por este motivo, a Dr.ª Isabel Rosmaninho explica que em diversos momentos o processo de diagnóstico e terapêutica direcionada ao doente é moroso, dado que se “realizam exames complementares de diagnóstico procurando-se uma alergia”. Neste sentido, esse atraso vai levar com que “as comorbilidades e doenças associadas à urticária levem à perturbação da qualidade de vida com o seu agravamento”.
No que concerne à longevidade, a especialista em Imunoalergologia esclarece que “a urticária aguda tem uma duração inferior a seis semanas, enquanto que a urticária crónica apresenta uma duração igual ou superior a seis semanas”. A urticária aguda é a mais frequente, atingindo “cerca de 20 % da população em geral” e que pode ser causada por uma infeção, um alimento um medicamento, entre outros.
Importa referir ainda que a urticária crónica se divide em espontânea e indutível. Para que a mesma seja diagnosticada recorre-se ao estudo analítico na investigação etiológica, biópsia de pele, no apoio do diagnóstico diferencial, e concretamente na urticária indutível, o uso de testes de provocação estandardizados como o dermografómetro para o diagnóstico de urticária dermográfica e urticária de pressão retardada, o Temptest® no diagnóstico de urticária ao frio e ao calor, entre outros.
Os Centros UCARE
Esta rede internacional de centros de excelência especializados em abordar e compreender esta patologia, no qual faz parte o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho, certificado em junho de 2021, surge em 2016 por iniciativa da Global Allergy and Asthma European Network (GA2LEN) face à percentagem de população mundial que padece de urticária crónica, representando 1 % de acordo com a urticariologista. Atualmente, o CHVNGE acompanha cerca de 800 doentes referenciados.
Especificamente, os centros UCARE têm como objetivo “proporcionar um tratamento de excelência a estes doentes com urticária crónica, aumentar o conhecimento da patologia por meio de pesquisa e educação e promover a consciencialização da doença por meio de atividades de apoio em diversas vertentes”.
A poucos dias de se assinalar o Dia Mundial da Urticária, comemorado a 1 de outubro, a Dr.ª Isabel Rosmaninho partilha que iniciativas estão previstas realizarem-se para a divulgação de conhecimentos e partilha de informações dirigidas aos profissionais do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho com contacto próximo com a patologia e para a população em geral, anunciando que vai ser desenvolvido um projeto internacional, por meio de um questionário, para avaliar a prevalência da urticária dermográfica a nível mundial.
As lesões cutâneas originadas pela urticária, seja aguda ou crónica, têm uma duração de 24 horas, no entanto, na sua maioria são resolvidas em 60 minutos “sem deixar mancha residual”, podendo ser acompanhadas de angioedema localizado normalmente nas pálpebras ou nos lábios. A especialista afirma que o sintoma que tem de estar sempre presente é o prurido, esclarecendo que outras hipóteses de diagnóstico devem ser equacionadas caso não haja a presença de comichão.
“Tratar os sintomas da urticária crónica até que desapareça” é deste modo que a especialista explana os principais objetivos da terapêutica em conformidade com as normas internacionais. O tratamento inicial integra os anti-histamínicos de segunda geração numa dose standard com um comprimido por dia, escalando-se gradualmente a dosagem “até quatro comprimidos diários que corresponde à terapêutica de segunda linha”. E adverte: “Muitas vezes os doentes não estão controlados com essa terapêutica”, por isso o passo seguinte é avançar com um tratamento hospitalar de terceira linha com a utilização do omalizumab, podendo, conforme a resposta do doente, ser necessário aumentar a dose ou encurtar o intervalo de tempo.
Para finalizar, a Dr.ª Isabel Rosmaninho partilha a mensagem a todos aqueles que pretendam tornar-se um centro UCARE: “É importante ler bem quais é que são os requisitos e trabalhar para que os mesmos sejam cumpridos”.



